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Mural Outubro 2020

Edição: Maria Helena Martins

 


altCONTRIBUIÇÕES DO CCYM

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OUTUBRO AZUL E NOVEMBRO ROSA

Fugindo do que seria esperado - enfatizar a campanha Outubro Rosa para os cuidados com as mamas -, Dra Graziela subverte expectativas e faz valer um recurso especialmente expressivo - fases da vida e arte de Pablo Picasso - reavivando a questão e efetivamente pintando-a com novas e atraentes cores! (MHM)

Graziela Stein de Vargas*

Pensar em Outubro Rosa para mim é como pensar em Novembro Azul, ou vice-versa, pois a importância de cuidados com a saúde deve ser igual independente do gênero. Entretanto, um dos motivos dos homens viverem menos, infelizmente, é porque fazem menos exames de rotina que as mulheres. Além disso, a maioria dos homens não tem a cultura que é imposta desde cedo às mulheres e, para nosso bem, desde a menarca adquirimos um olhar voltado para a saúde feminina. Desde cedo precisamos ir ao ginecologista. E seria extremamente importante que, desde o início da adolescência, os meninos fossem acostumados a ir ao urologista, pois essas especialidades assumem o lugar que até a pré-adolescência é por direito e por dever dos pais consultar ao pediatra. (leia mais)

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Dra. Graziela Stein de Vargas é Médica Psiquiatra, Docente e Membro da Diretoria do CCYM

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ARTIGO DE FUNDO

OUTUBRO ROSA EM ANO CINZA CHUMBO 


Fernando Neubarth*


Ir além das circunstâncias, elementar para a sobrevivência, é praticável até intuitivamente. Mas sabemos que o conhecimento se constrói com informação e reflexão temperadas pela sensibilidade. Daí que dar atenção plena a nós mesmos e ao  mundo que nos cerca implica estranhamento do óbvio e acolhimento do estranho. Simples assim. Só que ...

O texto de Fernando Neubarth nos indica caminhos.(MHM)

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(clique para ampliar)

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* Dr Fernando Neubarth é Médico e  Escritor


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ALÉM DA LETRA


12 DE OUTUBRO DIA DA LEITURA

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Maria Helena Martins*

Ao saber que era Dia Nacional da Leitura, logo lembrei o nascimento do meu livrinho O que é Leitura (Brasiliense, 1982). 

Fazia um calorão danado no primeiro dia da 31a. Reunião Anual da SBPC, em Fortaleza: julho de 1979. Eu suava em bicas, mais pelo fato de ser minha primeira apresentação de trabalho na célebre Reunião acadêmica. Fora convidada pela amiga gaúcha, Ligia Chiappini, da FFLCH-USP. Uma deferência, pois eu não era uspiana, trabalhava no Instituto de Letras da UFRGS. 

Sol escaldando enquanto eu caminhava apressada, furando o solo do campus com meus saltos altos, provocando o riso das colegas à vontade com suas sandálias, batas e largas saias indianas... Quando vi o enorme anfiteatro onde eu falaria tive um choque. Faltavam poucos minutos pra iniciar. As colegas disseram que deveríamos entrar. Eu queria desaparecer. Até porque, além delas, cinco, havia só mais quatro pessoas lá dentro. Sentamos na primeira fila e elas decididas a me agarrar se eu resolvesse fugir. Também porque, como eu estava num grupo representando a USP, não podia fazer forfait, prejudicando-as. Esperamos uns minutos e elas me empurraram para a bancada no palco. Trêmula, olhei a platéia - já havia umas 15 pessoas. E comecei balbuciando. As colegas, no gargarejo, sopraram "Mais alto!". Aumentei o tom, quase desafinando. Não lembro, mas devia ter microfone. E deslanchei a leitura. (Leia mais)


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* Maria Helena Martins é Professora de LIteratura e  Diretora de Humanismo, Comunicação e Literatura do CELPCYRO

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ESTANTE DO AUTOR

18 DE OUTUBRO DIA DO MÉDICO

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Ele não tinha casaca nem terno de linho branco pra ir à Cerimônia da Formatura. Mas já tinha sido escolhido o orador da turma. A solução foi ler o que escrevera na Festa de Despedida dos Formandos. Tinha 25 anos e o ano era 1933. (MHM)


DISCURSO DE FORMATURA

CYRO MARTINS

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Apesar das múltiplas divergências, há sempre em todos os momentos na vida de cada povo um núcleo de idéias que, para o bem coletivo, deverá nortear a ação individual visando determinado rumo de civilização. Se considerarmos particularmente a atividade do médico como fator social e ainda as circunstâncias de meio e tempo em que vivemos, conseguiremos, até certo ponto, apreender a extensão ideal da nossa colaboração futura para a obra comum. Como disposição inicial para qualquer realização de altruística amplitude, não deveremos ver a profissão apenas pelo prisma das suas probabilidades de lucros pessoais. Mas, conscientes da função cada dia mais real e mais ampla da Medicina no organismo social, bem outra terá de ser a nossa visão. Assim, compreendendo a angústia dos desfavorecidos, cujo drama sentiremos diuturnamente, levemos a decisão de ampará-los dentro das nossas possibilidades profissionais, sem afronta para a sua dignidade, em vez da sovina maestria de exploradores calculistas e vulgares. É certo que não poderemos desprezar o justo interesse profissional. E, principalmente, se considerarmos os técnicos das profissões liberais vítimas da esperteza dos seus assistidos. Refiro-me, entretanto, na minha idealização de conduta, ao sério problema tão lugar comum na dialética cotidiana, mas tão vivo de realidade da assistência devida pela sociedade aos indivíduos de sorte precária. (leia mais)

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CYRO MARTINS - os anos decisivos (1908-1951)


De fragmento em fragmento, desses anos decisivos, vai-se configurando o perfil do profissional da Medicina, do escritor, da figura humana...(MHM)


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UMA TEMPORADA CARIOCA

Fábio Varela Nascimento

Em 1937, quando Cyro entrou em contato com os donos e os colaboradores da Ariel, a melhor fase da editora já tinha passado. Entre seus autores ainda havia nomes relevantes e o Boletim continuava a ter boa distribuição, o mercado, porém, não lhe era mais tão favorável. Três anos antes, a José Olympio mudara-se de São Paulo para o Rio de Janeiro, dificultando os negócios da Ariel. Desde 1934, a José Olympio crescia e aumentava o número de títulos lançados – em 1936, ela atingiu a marca de 66 novas edições e se tornou a maior editora de obras de ficção do País. Com um poder de publicação e de circulação maior, a José Olympio tomou o espaço e os escritores da Ariel. Caminhando para o seu fim, na tentativa de emplacar um sucesso literário que rendesse, em 1937, a Ariel estava com as portas abertas a novos autores. Nesse cenário, Cyro poderia ser uma aposta positiva. (Leia mais)

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(leia trecho de Sem rumo)

Leia depoimentos de estudiosos da literatura sobre Sem Rumo 

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ESCRITORES GAÚCHOS

POETAS DO RS

São gaúchas, mas nada "prendas" nem "prendadas", no sentido tradicional. São batalhadoras, têm a vitalidade e a capacidade criativa envoltas por sensibilidade e força. Trabalham as palavras como o escultor esculpindo no mármore, cavando o sumo dos sentidos, das emoções, da reflexão. (MHM)

CONTO ? *

Liana Timm**

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não conto porque não quero contar
porque quando conto
faço um conto destrambelhado
que não vale a pena ser contado

até gosto de contar
mas não conto pra qualquer um
pra quem gosta de detalhes conto mais
então conto mesmo quase tudo
contar tudo desfaz o que conto
aí economizo o que desfaz do conto
seu mistério

mas explico tanto quanto posso
o que conto
que da veracidade duvido
quando conto
e repito em vários tons o que conto
que faço de um conto     mil

e eu só conto isso pra vocês
porque tem gente que insiste
quer que eu conte e conte e reconte
aquilo que eu d e f i n i t i v a m e n t e
não conto
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* Poema originalmente do livro Extravios Incandescentes (2014), agora em  O Íntimo das Horas. Território das Artes, Porto Alegre, DAeditora, 2019. Lançado a 22 de outubro de 2020, em  Maratona Literária Digital.
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** Liana Timm é multipoeta das formas, linhas e cores; multiartista das palavras que domina nos textos, nas falas, no canto, até mesmo no quieto.
Companheira excepcional de projetos do CELPCYRO, desde a 1a. hora,criando obras inesquecíveis como a exposição Cyro, o transfigurador do óbvio.  

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naqueles domínios

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não era uma vez
na floresta
desencantada
peste
praga
morte pressaga
o príncipe 
virara
sapo
lunático
insano
miasmático
o breu
dissipou 
candeeiros 
não deram
trégua
as trevas
no palácio
do perverso
servos
submissos
serviam
subalternos
omissos
na ponte
levadiça
cortesãos
cortejavam
o celerado
mascarados 
sem máscara
babando
cuspindo
ódio
 
assim
naquele soturno
reino
deletério
insalubre
milhares seguiram
o bárbaro

e era uma vez...

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* Presença Literária 2020. ALFRS( Academia Literária Feminina do RS).Gráfica e Editora RJR. 2020. Antologia  anual desde 1987, com textos de membros da Academia.Edição das autoras e e capa de Daglória - Maria da Glória Jesus de Oliveira, atual Presidente da Academia. Lançamento previsto para novembro de 2020.

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** Cristina Macedo.Professora e tradutora (inglês), contista e poeta. Autora de Do Arrebatamento (2015) com poemas, que o site CELPCYRO acolhe com muito gosto. Não deixe de conhecer também  uma mostra de seus contos - fora de série !   

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Coluna CELPCYRO

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Luiz Carlos Osório*

Conversas com meu umbigo VI

"Num momento especialmente inspirado, Luiz Carlos Osório oferece reflexões filosóficas - que levam a pensar no desperdício de vida que resulta ser nossa existência, num cotidiano insonso, mecânico, insalubre, amortecedor de fantasias, embotador de criação..." (MHM) 

Ucronias (até que enfim elas!)

Só as viagens da imaginação permitem que se navegue sem rotas pré-determinadas nem destinos convencionais. Portanto, decidimos, capitaneando nossa nau, sem naufrágios ou tragédias que lhe alterem a chegança aonde a fantasia a conduz, ancorar onde o espaço se fez tempo para gestar o futuro nos alicerces do passado.

Utopias?... Não! Ucronias, isso sim! É um momento ideal, não um local paradisíaco o que estamos sempre a buscar. Ur não está na Caldéia, onde o mito o colocou, e sim num tempo passado, presente ou futuro, em que a felicidade deixou de ser ilusão para se tornar a realidade de um instante, tão passageiro como definitivo porque assim o quisemos nesse brincar constante de ‘esconde-esconde’ que fazemos com a vida, para que a possamos reencontrar com a mesma e repetida surpresa no dobrar as esquinas de quaisquer idades. (Leia mais)

Conversas com meu umbigo VII

A questão político ideológica

“Os sistemas, quer educativos quer políticos, não se transformam miraculosamente; só se modificam quando há uma transformação fundamental em nós mesmos. O indivíduo é de primordial importância, não o sistema; e enquanto o indivíduo não compreender o processo total de si mesmo, nenhum sistema, seja de direita seja de esquerda, trará ordem e paz ao mundo” (Leia mais)

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* Luiz Carlos Osório é médico psiquiatra, psicanalista e escritor.
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