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Mural Setembro 2020

 

Edição: Maria Helena Martins

SETEMBRO AMARELO

O surgimento do romantismo literário e a questão do suicídio foram envoltos numa aura esteticamente emocional, criando situações e alimentando perspectivas mórbidas, numa atmosfera até mesmo glamourizada da morte. Werther (1774), de Wolfgang Goethe, explorando esses aspectos, se torna um marco para o Romantismo e desencadeador de inúmeros atos suicidas.

Em nosso tempo, as motivações e a incidência desse ato diversificam, o preconceito a seu respeito persiste. Acrescem a esse quadro as mazelas da pandemia do Corona Virus. Daí a importância de especialistas abordarem a questão do suicídio com mais freqüência e em diferentes meios para difundir esclarecimentos e orientar atitudes. (MHM)

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Assisa ao filme Veronika decide morrer:
https://www.youtube.com/watch?v=4WjqO6IAqiU&t=157s

Sobre o filme Veronika decide morrer - Contribuições do CCYM
Dra  Alcina J. S. Barros e Dra. Graziela Stein de Vargas*

          No mês de setembro, o tema “prevenção do suicídio” torna-se foco de campanhas e atividades em todo país. Dentro desse contexto, escolhemos o filme Veronika decide morrer, baseado na obra do escritor Paulo Coelho. O título já nos suscita importantes perguntas internas: o suicida decide morrer ou pelas anormalidades no pensamento, afeto e autodeterminação, a morte é a única conduta tida como possível?

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Dra. Alcina J. S. Barros

Veronika personifica muitas das dúvidas que o suicida nos deflagra, ao retratar uma jovem adulta bonita, independente financeiramente e fisicamente saudável, porém desesperançosa sobre o que os próximos anos lhe trarão. Após a tentativa de suicídio, no início do filme, ela acorda de um estado comatoso em uma instituição psiquiátrica. Além do estranhamento pelo local e situação, Veronika é confrontada com uma notícia inesperada. Interessante observar as sessões com o psiquiatra assistente, nas quais ela passa a se sentir melhor, ou mais aliviada, quando expulsa de si, através das palavras, os sentimentos hostis e temores acerca da vida. (leia mais)

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Dra. Graziela Stein de Vargas

Desde o início o filme monstra uma pessoa que está decidida a suicidar-se, tão decidida que já cria o próprio enredo, premeditando detalhes em sua fantasia de um futuro trágico.

Veronika chega em casa e coloca os comprimidos na boca como coleções de gotas dolorosas e as ingere com álcool... Escreve uma carta para os pais libertando-os da culpa, mas não suporta mais a “loucura coletiva” e mergulha nas profundezas da morte, mas ninguém sabe como será do outro lado...(leia mais)

Preservar a vida

Dr. Cláudio Meneghello Martins

Setembro, no hemisfério sul, tem o início da primavera como simbolismo maior da reenergização da vida, através do “ressurgimento” de muitas espécies da flora e fauna, com abundância do verde, flores e toda uma cadeia alimentar que propícia o desenvolvimento da vida... Entretanto, também desde 2014, o setembro amarelo passou a fazer parte do calendário de alerta, conscientização e ampliação de atenção sobre medidas preventivas de automutilação e suicídio. A campanha do “setembro amarelo”, desenvolvida pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, que vem agregando várias outras instituições privadas e públicas, mobiliza ações psicoeducacionais com o objetivo de prevenir e reduzir as taxas de suicídio que teimam em se manter altas(leia mais)

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ARTIGO DE FUNDO - PSIQUIATRIA E ARTE

Walmor Piccinini

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Bispo com seu manto. ©Walter Firmo (catálogo Brasil em Veneza – 46. Bienalle di Venezia)

Bispo do Rosário (1911-1989) juntava seus trabalhos preparando seu inventário para o Juízo Final, quando se apresentaria a Deus com o manto que bordou, repositório de coisas e nomes de gente deste mundo, para interceder por elas.

Entre a vida em suspenso pela loucura e o recôndito da alma em transe, a arte se concretiza como refrigério, possível ponte entre o doente mental e quem o cerca. (MHM)

         Loucura e arte se constituem como objeto de estudo para muitas áreas do conhecimento. Várias perguntas, no entanto, permanecem sem resposta. A produção artística do louco se dá justamente por causa da loucura ou apesar dela? A promoção do ato criativo, como instrumento terapêutico, deve se restringir à expressão de conteúdos internos a serem trabalhados ou pode pretender o desenvolvimento de uma experiência que favoreça funções mentais integradoras? 

“Pode ser que você ainda não tenha se dado conta disso, mas o fato é que todas as coisas belas do mundo são filhas da doença. O homem cria a beleza como remédio para o seu medo de morrer. Pessoas que gozam de saúde perfeita não criam nada. Se dependesse delas, o mundo seria uma mesmice chata. Por que haveriam de criar? A criação é o fruto do sofrimento”. – Rubem Alves

Talvez se confunda a criatividade do gênio e do artista com as excentricidades do louco porque nenhum deles segue à risca as convenções sociais compartilhadas pela maioria. Mas a loucura supostamente impede a criatividade, pois a mente do psicótico está comprometida por mecanismos defensivos que impedem seu livre funcionamento, restringindo-o a padrões rígidos e estereotipados, dos quais o modelo maior é o delírio, crença inabalável e impermeável às críticas e às considerações racionais. À liberdade e flexibilidade criativa do artista  se contraporia à  rigidez imutável do delírio. (leia mais)

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ARTE & LOUCURA

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Em primeiro plano, Hospital Psiquiátrico São Pedro - Porto Alegre

A realização, no último dia 22 de setembro, de Arte & Loucura: 4 Coleções em Diálogo - dentre seus  tantos aspectos valiosos -  se revela como excelente oportunidade para trazer a público manifestações surpreendentes dos "invisíveis", como doentes mentais são muitas vezes considerados. Essas pessoas expõem sua capacidade criativa, enquanto apaziguam seus demônios e mostram um pouco de suas almas, quando orientadas e incentivadas por profissionais como Bárbara Neubarth, habilitados no trato com as artes e com muita humanidade para tratar doentes mentais. (MHM) 

Acervo da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro/RS

Barbara E. Neubarth

Ao agradecer, quero dizer da minha alegria em compartilhar este  Arte & Loucura: 4 Coleções em Diálogo, que fala de memória, patrimônio, salva¬guarda, preservação, mas fala em especial de pessoas invisíveis, es¬quecidas, ignoradas. E diz de quem, desafiado a es¬cutar, desde dentro dos pátios lotados dos antigos manicômios, deu voz a pes¬soas interna¬das, erroneamente percebidas como sem desejos ou so¬nhos.

O Hospital Psiquiátrico São Pedro é inaugurado em 1884 na mesma esteira higienista que marcou a fundação de outros manicômios pelo mundo. Fui co¬nhecê-lo em 1972, no que eu acreditava ser minha primeira e única visita. Contudo, a exposição do Museu de Imagens do Inconsciente em Porto Alegre, em 1987, me fez pensar em: Por que não, com instrumental das artes, abrir di¬álogos com pessoas que caminhavam a esmo nos pátios do hospício? Em par¬ceria com Rosvita Bauer, a artista plástica Luiza de Paula e a Terapeuta Ocu¬pacional Luciana Moro fundamos, em 1990, a Oficina de Criatividade do São Pedro, que tem como uma de suas resultantes um Acervo esti¬mado em 250 mil documentos. Criada como equipamento de reabilitação psicossocial da rede de saúde men¬tal do SUS na Oficina, a expressão plástica serve ao resgate da subjetividade, sendo decisiva para consolidar uma inclusão possível, ao favo¬recer trocas que levam à criação de novos sentidos. (leia mais)

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CYRO MARTINS - os anos decisivos (1908-1951) - Fragmentos


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O Médico da Vila

Fábio Varela Nascimento


Como teria repercutido no jovem "médico da vila" saber-se escolhido, se ver entre autores citadinos e (re)conhecidos como escritores? Certamente esse destaque terá sido um impulso a mais a alimentar seus apelos interiores por um futuro muito diferente da realidade quarainhense...(MHM)  

A partir da década de 1930, o conto, até então o gênero rei da literatura do Rio Grande do Sul, começou a ceder espaço para os romances. Clarissa, de Erico Verissimo, surgiu em 1931, e, naquele 1935, Caminhos cruzados,também de Erico, e Os ratos, de seu conterrâneo Dyonélio Machado, não indicavam apenas a ascensão de uma outra forma narrativa, também mostravam que o olhar da literatura produzida no Estado se voltava para o espaço urbano. Embora tivesse trazido algumas inovações no trato da linguagem e dos personagens, Campo fora estava marcadamente ligado à tradição das histórias curtas, “vivenciadas” no ambiente campeiro. Cyro não queria deixar de escrever sobre o campo e seus habitantes. Aquela era a sua temática e ele se sentia mais à vontade quando falava sobre as pessoas e os espaços conhecidos. O momento literário, porém, era outro e, se quisesse dar seguimento à carreira, era preciso se adaptar. (leia mais)


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COLUNA CELPCYRO


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Luiz Carlos Osório*

 

Conversas com meu umbigo III


E o homem inventou deus à sua imagem e semelhança

Meus (improváveis) leitores decerto vão se decepcionar, talvez até se escandalizar, com o texto herege que agora escrevo aqui. Mas prometi a mim mesmo que seria honesto com eles e coerente até a medula com o que penso. Se há alguma vantagem que a idade nos traz é a autorização para deixarmos de ser “personas”, tirar a máscara para agradar a plateia e ser a pessoa autêntica que sempre escondemos atrás dela. Aliás - verdade seja dita - ao longo da vida pouquíssimas vezes precisei me ocultar sob o disfarce de um “falso self” pela pressão das circunstâncias. Se não ousei ser mais irreverente e transgressor foi por incompetência para sê-lo e não por falta de coragem. (leia mais)


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Conversas com meu umbigo IV 


 Implicâncias com as crenças alheias 

Desde que me conheço por gente coleciono interrogações e implicâncias com Nosso Senhor. Nem sempre fui muito adequado em abordá-las com seus seguidores, sejam lá de que religiões fossem. 

Lembro que estudando num colégio de confissão protestante escrevi uma crítica cinematográfica no jornalzinho do grêmio estudantil sobre um filme francês que abordava as dúvidas existenciais de um padre. Como os adolescentes intelectualóides de meu tempo, eu era metido a palpitar sobre temas filosóficos ou que tais. E como pouco soubesse dizer sobre os méritos técnicos do filme aproveitei para desancar a inconsistência da fé católica do personagem religioso com o ardor anticlerical que me acometia naqueles verdes anos.

Aplausos de alguns colegas e professores do colégio, que logo me viram como uma promissora reedição provinciana de Calvino ou Lutero. Mas tão logo, noutro artigo, disse que os protestantes haviam apenas trocado um deus de barbas brancas por outro de barbas ruivas. Choveram admoestações contra o sarcasmo de minha alusão às origens germânicas dos reformistas, que também eram as dos diretores da escola. (leia mais)

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Conversas com meu umbigo V 

O homem e suas instituições

Os homens criam suas instituições para abrigar suas crenças, ideologias e propósitos sociais; mas por que será que nelas ingressam com seus piores defeitos e deixam fora delas suas melhores qualidades? Isso acaba por transformá-las numa verdadeira caixa de pandora albergando todos os males do mundo.

 É curioso que no mito, quando Pandora deixa escapar os males do mundo fica dentro da caixa a esperança, que também pode ser vista como um mal da humanidade, pois traz uma ideia superficial e quase sempre equivocada acerca do futuro.

Será que estamos nos iludindo com a falsa esperança que um dia alcançaremos a era das ucronias (olha o neologismo de novo – já, já noutro texto explico do que se trata) e o melhor do ser humano finalmente virá à tona para sepultar toda a maldade existente?

Se as instituições são o continente de nossas imperfeições humanas, como a tendência dos grupos sociais é institucionalizar-se para viabilizarem seus objetivos, será que todo o processo de institucionalização é nocivo?. (leia mais)

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* Luiz Carlos Osório é médico psiquiatra, psicanalista e escritor.


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