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Mural Julho 2020

Edição: Maria Helena Martins

 


Sérgio Faraco: 80 anos

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Em ritmo ágil, sem rebusques linguísticos, emerge a eloquência guasca; a leitura é embalada no volteio das frases, em quadros humanos e paisagísticos. Mesmo não sendo acostumado a certos gauchismos, o leitor não susta a leitura. Emoção e sentimento afloram nos gestos, no quieto dos pensamentos, nas falas de personagens. Disso brota humanidade, ternura e dor, uma sensibilidade contida que envolve e perturba o leitor. Do viver no campo ou vivenciando "as chagas das cidades" emergem personagens, ora fugazes, ora assentadas num espaço-tempo eternizado, despertando empatia.

Sérgio Faraco, não há como passar incólume pela tua obra! Parabéns! (MHM)  

Confira os textos de Léa Masina e Luiz Antônio de Assis Brasil sobre Sérgio Faraco

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Clique aqui para exibição

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Saúde mental e as Artes: Sete minutos depois da meia-noite

Contribuições do CCYM
Dra. Graziela Stein de Vargas

Artistas em geral e poetas, além de filósofos, desde os gregos, são pioneiros na preocupação com a mente humana e seus meandros. Há muito, cientistas e médicos especialistas em saúde mental encontram nas manifestações estéticas um fértil recurso para pesquisa e exemplificação de distúrbios mentais, sobre características do comportamento humano, pois que, não raro intuitivamente, artistas os configuram com clareza surpreendente. 

Dra. Graziela Stein de Vargas - psiquiatra e Professora no CCYM, ligada às manifestações artísticas - vê no filme Sete minutos depois da meia-noite excelente recurso para, além da apreciação estética, valermo-nos de seu conteúdo para compreender um pouco mais da alma humana e, com esse conhecimento, auxiliarmos a adultos e crianças a entender seus estados mentais.(MHM) 

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Clique abaixo para exibir o vídeo:
parte 1
parte 2

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Assista ao filme completo
Assista ao trailer

Livro original de Patrick Ness  e  filme dirigido por J. A. Bayona

Sinopse:
O garoto Conor tem muitos problemas na vida. Seu pai é muito ausente, a mãe sofre de um câncer em fase terminal, a avó é uma megera, e ele é maltratado na escola pelos colegas. No entanto, todas as noites Conor tem o mesmo sonho, com uma gigantesca árvore que decide contar histórias para ele, em troca de escutar as histórias do garoto. Embora as conversas com a árvore tenham consequências negativas na vida real, elas ajudam Conor a escapar das dificuldades por meio do mundo da fantasia.

Sobre o filme Sete minutos depois da meia-noite

Graziela Stein de Vargas

O menino Conor tem pesadelos frequentes onde expressa suas angústias existências e é capaz de conversar com seu próprio self.
O menino sofre em casa pela mãe que está com câncer e na escola sofre perseguição e agressões de colegas, ele sofre calado... Entretanto, o menino se expressa  por desenhos e em sua mente fantasia com criatividade e riqueza de detalhes.
Conor utiliza as histórias para enfrentar seus monstros, para aprender a lidar com seus medos, pois os piores pesadelos são reais.
O menino Conor enfrenta o pior de todos os medos, sua mãe está doente e está morrendo e não há nada mais devastador para uma criança do que ter que lidar com  essa carga emocional.
Além da dor que carrega, o menino precisa lidar com seus medos, como medo da própria aniquilação e da falta de capacidade cognitiva e emocional que sabe ainda  não ser suficiente para lidar com os problemas que a vida adulta traz.

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O homem grande na cidade pequena

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Fábio Varela Nascimento

Leio como se romance fosse. Logo eu, filha do retratado. Mas o embalo da narrativa,  num ritmo que lembra o da Maria-fumaça...e o cheiro dela, me reporta a um tempo em que eu mal vivia, à personagem de um pai que não conheci... (MHM)

Quando entrou no Fronteira e sentou-se nas ripinhas duras e lustrosas que se juntavam para formar o banco do trem, Cyro teve uma certeza: voltava para casa. Aliás, essa era uma das poucas certezas que tinha naquele final de 1933. 

Não era a primeira vez que partia rumo ao desconhecido. Antes dos 12 anos, já fizera uma jornada parecida. Daquela vez, porém, o trem levava-o na direção contrária e, ainda que estivesse com medo, havia esperanças. Agora, não. Mesmo que carregasse o diploma de médico, o maior objetivo desde a saída do Cerro do Marco, em 1920, Cyro não poderia espantar a sensação de incômodo. Havia muito que ele sabia da volta para casa. Bilo e Cyro nunca conversaram sobre o assunto nas horas do mate ou nos passeios a cavalo dos fins de tarde. A volta estava resolvida e não precisavam gastar saliva falando sobre outras possibilidades.  

Para Bilo, a vida do filho se ligava à família e à cidade natal. Por isso, o pai não cogitava outras possibilidades. Para Cyro, era diferente. O rapaz desejava seguir outros rumos. Ele não queria estar no Fronteira, olhando pela janela as paisagens de sempre e refazendo a viagem que já conhecia de cor. Ele não queria se afastar de Porto Alegre e se internar em um distrito do interior. Se continuasse na capital, rolaria por outras pensões baratas, passaria fome, teria apertos de dinheiro e penaria para montar consultório e arranjar clientela. Não seria nada fácil e ainda haveria incertezas, mas talvez tivesse mais oportunidades e pudesse ampliar os estudos. Além disso, estaria em um centro cultural e poderia levar adiante a ideia de ser escritor. Leia mais!

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Conversas com meu umbigo

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Luiz Carlos Osório*

Luiz Carlos Osório  inaugura na Coluna CELPCYRO, um processo inverso de grandes cronistas, como  Rubem Braga, Vinicius de Moraes, Nelson Rodrigues, Paulo Mendes Campos, Carlos Drummond de Andrade, Eles escreviam em jornais e revistas e depois publicavam em livros suas crônicas.
Luiz Carlos Osório vai inovar: o que nasceu para ser livro será uma coletânea de crônicas. Aliás, o título - Conversas com meu umbigo - já é perfeito pra enfeixar crônicas. (MHM)

A questão da natalidade

Nada mais adequado que iniciarmos por uma opinião sobre se devemos ou não nascer. Há um crescente movimento pelo antinatalismo entre jovens de hoje. Se antes era uma contingência do destino nos tornarmos pais e a esterilidade era vivenciada como uma incompletude em nossas vidas, hoje se discute o não ter filhos como uma opção oferecida pelos métodos anticoncepcionais disponíveis.

Sob as mais diversas razões e justificativas muitos optam por romper com o que parecia uma lei natural: a procriação da espécie.  Os argumentos vão desde a preservação da autonomia individual até a alegação que o mundo está superpovoado e com tantos problemas que não consiste em um ato de amor colocar nele novos seres. 

Bem, minha opinião é que vale a pena sermos pais. Talvez a tenha extraído menos de minha experiência como pai do que a como filho: meus pais sempre demonstraram que sua vida foi enriquecida com os filhos que tiveram. E se não pude dizer o mesmo como pai foi pelas contingências de um divórcio calamitoso que me privou da convivência com os filhos enquanto crianças.

Ter ou não ter filhos deve ser uma escolha de cada ser humano. Mas essa decisão é condicionada à possibilidade de que todos (e aqui me refiro especialmente aos que não tenham acesso aos conhecimentos e meios para fazer seu planejamento familiar) possam decidir a partir da conscientização sobre as consequências do ter ou não ter filhos e da possibilidade de que sejam sustentados se não possam fazê-lo. Leia mais!

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*Luiz Carlos Osório é Médico Psiquiatra. Psicanalista titulado pela International Psychoanalytic Association (IPA). Grupoterapeuta com formação em psicodrama e em terapia familiar (na Itália). Autor de várias obras sobre adolescência, psicanálise, grupos, casais e família. Fundador da GUPPOS( Florianópolis, SC).Autor de várias obras. 

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Homenagens

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Cyro Martins recebe de Dr. José Eduardo Degrazia a Comenda do Mérito Médico da AMRIGS

Discurso do Dr. José Eduardo Degrazia

CYRO MARTINS

Médico, escritor, ensaísta, psicanalista, e antes de tudo humanista, nasce Cyro Martins em 1908, na cidade de Quaraí, fronteira com o Uruguai. Estuda seus primeiros anos no colégio Anchieta de Porto Alegre situação bem mostrada por ele em Um menino vai para o colégio. Forma-se em medicina em 1933. Nas férias, Cyro Martins volta à casa paterna, onde no bolicho de beira de estrada de propriedade da família, vê as cenas e os personagens que influenciarão toda sua trajetória de escritor. Após a formatura retorna à cidade natal, para clinicar, onde trabalha até 1937. A vida de médico interiorano será retratada muitos anos depois na A dama do saladeiro. Ainda no ano de 1937 vai para o Rio de Janeiro estudar Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal. Em 1939 é um dos fundadores da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal no Hospital Psiquiátrico São Pedro, de Porto Alegre. 

Depois de muitos anos de trabalho na clínica, toma a decisão de fazer a formação psicanalítica em Buenos Aires. Conforme o crítico e seu editor, Carlos Jorge Appel: “Duas decisões na vida de Cyro Martins, a de sair da campanha para Porto Alegre, e de Porto Alegre para Buenos Aires, para onde foi delinear o seu destino, me parecem fundamentais para compreendê-lo. Para ele, infância, adolescência e maturidade compõem um longo arco, uma metáfora da construção/desconstrução permanente da vida.” Retorna Membro da Associação Psicanalítica Argentina. Em 1957 é eleito Presidente da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neurocirurgia. Inicia, nesse mesmo ano, a atividade de professor no Instituto de Psicanálise. Em 1964 publica Do mito à verdade científica, onde enfeixa os ensaios e conferências de tema psicanalítico. Volta ao tema, em 1970, com o ensaio A criação artística e a psicanálise5 e, nos anos seguintes, publica vários livros sobre a condição médica e a relação médico-paciente. Leia mais!

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Prêmio ao Mérito Cyro Martins

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Walmor J. Piccinini

Em primeiro lugar quero registrar meus agradecimentos aos filhos do Dr. Cyro Martins, a Presidente do CELCYRO a Professora Maria Helena Martins e ao Presidente da Associação Psiquiátrica Cyro Martins, Dr. Cláudio Martins. Agradeço ao Dr. Antônio Geraldo da Silva, Presidente da APAL e da Associação Brasileira pela honra da presença e pelas palavras de estímulo e carinho proferidas.

Ao receber a Comenda Cyro Martins me sinto cheio de gratidão à minha família, meus amigos, alunos e colegas. Não sei se reuni méritos para tanto, mas representa o coroamento de uma jornada de vida cheia de acontecimentos extraordinários. Como é que eu poderia imaginar que, saindo de Bento Gonçalves no final de 1959, onde concluí meu curso secundário, pude entrar na Faculdade de Medicina da UFRGS e, alguns anos depois, em 1963, estava no Jardim das Rosas da Casa Branca dirigindo a palavra ao presidente John Kennedy. Curso médico, vários empregos e a formação analítica precoce. Tão precoce que interrompi aos 25 anos por achar que poderia ter uma vida fora de tanto estudo e compromissos. Casamento, filhos, crise da meia-idade, recomeço com Helena. Com ela fui novamente para os EUA, para a Universidade de Michigan, lá no grupo de Psiquiatria Informática encontrei novas motivações. 

Entre muitas atividades, encontrei um software para testes, aprendi a utilizá-lo e dei início a um banco e dados da psiquiatria brasileira que hoje está com 22.852 referências. Trabalho intenso, registro a registro de material coletado em velhas revistas, velhos livros, velhos psiquiatras e através deles vivenciei a história da psiquiatria no Brasil. Retornando ao nosso país, retomei contatos com a Associação Brasileira de Psiquiatria da qual sou sócio desde sua fundação, fui convidado a colaborar na Fundação Universitária Mário Martins. Da apresentação inicial do meu banco de dados resultou o convite para estruturar o site da ABP. Consegui registrar o nome abpbrasil.org e junto com técnicos gaúchos demos forma ao site e o mantínhamos com um custo de cerca de R$300,00 mensais. As tarefas começaram a se tornar mais complexas, informatizamos pelo menos dois Congressos Brasileiros e começou a circular mais recursos financeiros. Fui então substituído por uma firma especializada. Hoje, sob o dinamismo de um presidente multimídia e o modesto site se transformou no Portal da Psiquiatria Brasileira. Participei do ABP Comunidade e junto com um amigo colaborei no desenvolvimento da “Psychiatry online Brazil” e hoje em dia sou seu Editor. Tenho sido colaborador permanente e há mais de 20 anos escrevo um artigo mensal sobre a história da psiquiatria brasileira. Uma coisa leva a outra e passei sob convite, a escrever capítulos de livros sempre tendo por tema a psiquiatria brasileira. Há pouco mais de três anos Cláudio, Euclides e Carlos Barros com estímulo do Antônio Geraldo da Silva iniciaram um novo Curso de Psiquiatria e fui convidado a colaborar, o que faço com muito prazer pela companhia fraterna e dedicada destes colegas. Infortunadamente a vida nos tomou o Carlos Barros, mas sei que está torcendo por nós onde quer que esteja. Esta Comenda vem me encontrar cheio de planos para o futuro, só espero ter tempo para realizá-los. 

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A Estátua do Laçador

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Aymara Celia*

Assim como Erico Verissimo se orgulhava de Porto Alegre por ter uma orquestra sinfônica, eu me orgulho pela cidade e estado do Rio Grande do Sul  serem representados por uma escultura tão linda e significativa.

O gaúcho está muito bem representado, identificado com o laçador.

Mas não podemos  esquecer  do  gaúcho a pé que brilhantemente nos é apresentado numa trilogia por Cyro Martins.

Gaúchos sem laço, sem cavalo... Que na década de 1920 e 30  vieram formar as primeiras favelas de Porto Alegre, segundo pesquisa do sociólogo Laudelino Medeiros, meu professor na faculdade.

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Querida Aymara: conseguiste o milagre de colocar muito em nove linhas. Sem dúvida, por estar o Laçador a pé, tenho certeza que Caringi foi influenciado por Cyro Martins, o que muitos ignoram.

Alcy Cheuiche**

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* Aymara Celia -  Professora de Ciências Sociais(UFRGS), com especialização em Antropologia de Sociedades Complexas. Assessora da Direção do CELPCYRO por mais de 15 anos, com dinamismo e criatividade decisivos para o fortalecimento do nosso Centro de Estudos. Entre muitas outras atividades participou da coordenação de projetos como Fronteiras Culturais (Brasil- Uruguai-Argentina) e Cyro Martins vai às Escolas.
** Alcy Cheuiche - Premiado escritor gaúcho de  romances, crônicas, teatro, poesia.  

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MINIARTE: Verdade Virtual

Visite a Exposição virtual internacional criada e coordenada pela artista plástica clara Pechansky.

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Gilberto Sibemberg - Brasil

Exposição vigorosa, onde linhas, formas, cores e palavras se mesclam num concerto eloquente. Subjaz às imagens, como contraponto, reflexão sobre algo invisível e mortal com uma indagação trespassada de esperança.(MHM)